Rafael Calos Pereira de Sousa


Nasceu em Viseu a 3 de Março de 1821 mas cedo deixou a terra natal. Em Ponte de Lima conheceu um boticário que possuía uma excelente livraria, que Rafael verdadeiramente devorou. Fixou-se depois em Pedras Rubras, onde casou, em 1848, com Maria Alves Pereira, daqui natural. Trazemo-lo ao conhecimento do público porque ele foi, não o «homem dos sete instrumentos», mas das dez profissões, já que foi, quase sempre ao mesmo tempo: ferrador, pintor, alfaiate, tamanqueiro, fogueteiro, algebrista (endireita), alveitar (veterinário), mestre-escola e astrónomo. Entretanto, ainda teve tempo para escrever vários livros, com destaque para o Almanaque da Borda-Leça, o Livro do Futuro ou a arte de adivinhar, a Pirotecnia ou o novo manual do fogueteiro e a Nova Veterinária ou compêndio de medicina veterinária teórico e prático. O Almanaque, muito apreciado na região, publicou-se desde 1849 pelo menos até 1911. Também o Padre Joaquim Antunes de Azevedo que se lhe refere nas suas «Memórias…» nota, por exemplo, que foi ele quem elaborou a primeira numeração, hoje chamada «de polícia», bem como a primeira ordenação toponímica da freguesia de Moreira e de parte do concelho da Maia. E, como dizia o Padre Vieira Neves na Revista da Maia de 1885:«E este homem é pobre!». Imagine-se.

José Augusto Maia Marques