Maria Peregrina de Sousa


                                             

Nasceu em Moreira da Maia a 13 de Fevereiro de 1809, sendo filha do comerciante António Ventura de Azevedo e Sousa, e de D. Maria Margarida de Sousa Neves. Dedicou-se sobretudo ao romance e à poesia e teve numerosa colaboração em muitos órgãos de comunicação da época em Portugal e no Brasil. Castilho biografou-a num «prefácio» ao seu romance Henriqueta. Esta escritora, que cultivou sobretudo o romance e a poesia, teve numerosa colaboração em muitos órgãos de comunicação da época, com destaque especial para o Archivo Popular, Almanack de Lembranças, Restauração da Carta, Revista Universal Lisbonense, Aurora, Pirata, Braz Tisana, Lidador e Periódico dos Pobres do Porto, e, no Brasil, na Iris, do Rio de Janeiro, entre outros. Maria Peregrina era além disso colaboradora da «Les Matinées Espagnoles – nouvelle revue internationale européenne», dirigida pelo Barão Stock, editada em Paris e Madrid, onde escrevia em francês, fazendo crítica literária e publicando crónicas e textos de ficção, assinando-se como «Pérégrine».  Publicou em 1859 Retalho do mundo, um romance dedicado a António Feliciano de Castilho. Em 1863, dá à estampa, em Lisboa, o romance Rhadamanto. Segue-se-lhe Roberto ou a força da sympathia e em 1866 é a vez de Maria Isabel. Dez anos depois surge Henriqueta: romance original. Cultivou também a Etnografia, e dela diz o Mestre José Leite de Vasconcellos: «A falecida escritora D. Maria Peregrina de Sousa […] inseriu em vários números da Revista Universal Lisbonense uma série de doze curiosas cartas dirigidas a António Feliciano de Castilho, sobre tradições populares minhotas. Estas cartas […] foram dos primeiros trabalhos que entre nós se publicaram sobre o assunto, depois que Garrett mostrou o valor etnológico das tradições populares». Claro que por ser mulher, por ser escritora, por ser romancista e poetisa, de imediato se levantaram opiniões diversas sobre o seu valor literário. Não admira minimamente a quem conhecer a época. Maria Peregrina de Sousa, maiata e mulher num mundo de homens, foi figura precursora do estudo e recolha entre nós de tradições populares, isto antes mesmo do meio de século XIX. Faleceu no Porto a 16 de Novembro de 1894.

José Augusto Maia Marques