José Félix Farinhote


                                               

José Félix Farinhote é natural de Foz Côa, filho de José Joaquim Farinhote e de Maximina Augusta Costa Félix Farinhote. Era o quarto de sete irmãos, quatro rapazes e três raparigas. Concluiu o curso de medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto (depois Faculdade de Medicina) em 1910. Apresentou, em Junho de 1912, a chamada então «dissertação inaugural» (depois tese de licenciatura) intitulada «A cryogenina na febre typhoide». Esta diferença de dois anos deve-se ao facto de, com a implantação da república, ter surgido a esperança de que as teses seriam abolidas. Como não foi o caso, José Félix Farinhote cumpriu escrupulosamente o preceituado. Dois dos seus irmãos, António (o 2º) e Francisco (o 3º) foram padres, mas ambos abandonaram a vida sacerdotal e casaram com as respetivas criadas. Um tio, Luiz António Farinhote, foi Abade de S. Mamede de Infesta, consagrado aliás na toponímia local. Muito querido da população, quando se deu o 5 de Outubro alinhou pelos ideais republicanos, mesmo com o seu anticlericalismo, o que o levou a um choque com outros padres e com o Bispo D. António Barroso. Quiçá influenciado por este seu Tio, o Dr. Farinhote foi também um elemento destacado do republicanismo maiato, o que levou o Governador Civil pós 5 de Outubro, Paulo José Falcão, a nomeá-lo para a presidência da Comissão Municipal do Concelho da Maia. Homem íntegro, desilude-se com o rumo que as coisas tomavam e acaba por se afastar das lides políticas logo no início do ano seguinte, dedicando-se por inteiro à medicina. Entretanto fora mobilizado como Capitão-médico miliciano no Corpo Expedicionário Português na Flandres, em 1919, tendo prestado os mais relevantes serviços, regressando de França com o regimento de Infantaria 15, sob o comando do major Ferreira do Amaral, forças chegadas a Lisboa dois dias depois de sufocado o movimento revolucionário de Monsanto.

José Félix Farinhote tinha, como sabemos, fixado a residência no concelho da Maia, onde constituiu família ao casar com Laura Sousa Dias Farinhote, tendo tido uma filha Emília Maximina Farinhote, que por sua vez casou e teve descendência na Póvoa do Varzim. Foi por isso na Maia que desempenhou vários cargos como os de médico na Cooperativa Popular de Moreira da Maia, de médico municipal e de subdelegado de saúde, para além do já referido de Presidente da Câmara. Conquistou, pela familiaridade do seu trato, a simpatia dos habitantes do concelho, que deram o seu nome a uma das ruas de Moreira. Depois do seu falecimento, nas sedes da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários e da Cooperativa Popular foram inaugurados os seus retratos, em Maio de 1931, semanas depois do seu concorridíssimo funeral, no cemitério de Perafita.